I Target Talks: Reflexões sobre o presente e futuro da mediação empresarial

Webinar – I Target Talks : Reflexões sobre o presente e futuro da mediação empresarial na “visão delas”
Bate papo sobre mediação empresarial, moderado por Ligia Zotini, convidadas Tania Almeida, Ana Luiza Isoldi, Juliana Polloni e a anfitrã Aline Anhezini.
 A mediação esta presente em nossa vida há anos, nos últimos 2 totalmente amparada na legislação vigente. E? Mediação empresarial: como podemos evoluir ?Mediação empresarial: fenômeno disruptivo ou mudança de paradigma ?Como a mediação empresarial pode prevenir e resolver conflitos empresariais?  Perguntas Disparadoras… que vamos debater. Participem!!!

Justiça do Rio de Janeiro faz primeira mediação usando o WhatsApp

BRASIL-ANGOLA

Justiça do Rio de Janeiro faz primeira mediação usando o WhatsApp

19 de julho de 2018, 13h45

O Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Fórum da Leopoldina, na zona norte do Rio de Janeiro, promoveu nesta terça-feira (17/7) a primeira mediação no Judiciário fluminense com uso do aplicativo de troca de mensagens WhatsApp. A iniciativa possibilitou uma audiência entre um brasileiro radicado em Angola e sua ex-mulher, que vive no Brasil. Há 10 anos eles discutem uma partilha de bens.

Justiça do Rio usou WhatsApp para fazer audiência de mediação entre brasileiro radicado em Angola e sua ex-mulher, que vive no Brasil.
Reprodução

De acordo com o coordenador do Cejusc, juiz André Tredinnick, graças ao aplicativo foi possível colocar frente a frente as duas partes. É o projeto Justiça Digital do Núcleo Permanente de Solução de Conflitos (Nupemec), do Tribunal de Justiça do Rio.

“Eu acho que o principal benefício é escapar de um cenário desagradável da Justiça que, às vezes, por impedimento de viagem ou questão de saúde a pessoa não pode estar presente, e assim pedir o adiamento da audiência. Com a videochamada, a parte participa graças ao telão. Só que, em vez do advogado falar remotamente com o cliente, ele fala ao mesmo tempo. É um grande avanço para evitar adiamentos sucessivos. Nossa missão é fazer a audiência, julgar”, disse o juiz. Ele explicou que até o uso do papel pode ser dispensado, já que todo o procedimento é digital.

Motivação do projeto
O projeto surgiu das necessidades do cotidiano do Cejusc com parte da população local. A coordenadora e idealizadora do projeto Justiça Digital, Evelyn Isabel Castillo Arevalo, relatou que muitos moradores de áreas consideradas de risco têm dificuldades para cumprir determinações da Justiça, alegando não receber as intimações e as citações.

“A gente precisava trazer um projeto acessível porque muitas pessoas aqui na comunidade em volta não têm recursos. Na videoconferência, são precisos dois computadores, o daqui e o de lá. Só que a maioria delas nem tem computador em casa, então eu consegui identificar que elas tinham um áudio com telefone no WhatsApp. O projeto realmente propicia a conexão direta de uma audiência por vídeo chamada”, disse Evelyn.

“Mesmo que o acordo não tenha acontecido no primeiro contato, abrevia o tempo, custos e facilita a aproximação para o diálogo e sanar impasse. Se fôssemos aguardar o retorno da carta precatória e a compra de uma passagem, seria muito difícil realizar a audiência devido às condições financeiras de ambas as partes”, completou.

Os advogados que participaram da audiência aprovaram a iniciativa. “É um passo importantíssimo para a Justiça, independentemente do lado que nós estivermos como advogados”, disse Adilson Lessa Brasil

“Eu considero um marco. Daqui para frente, vamos ter um outro tipo de procedimento dos processos judiciais. O que ficou para trás, a gente tem que sempre melhorar e manter. A sociedade precisa de um Judiciário célere e que dê uma resposta eficiente para todos”, disse Roberto Richetti.

Com informações da Assessoria de Imprensa do TJ-RJ.

https://www.conjur.com.br/2018-jul-19/justica-rio-janeiro-faz-primeira-mediacao-usando-whatsapp

Desembargador do TJ-SP faz mediação e promove acordos dentro do gabinete

ALTERNATIVA JUDICIAL Desembargador do TJ-SP faz mediação e promove acordos dentro do gabinete 

 

Nomeado desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo em agosto de 2017, Luiz Guilherme da Costa Wagner aposta em conciliações feitas em seu próprio gabinete para dar celeridade e desafogar o Judiciário paulista. Desde maio, em seis datas mediou 34 casos, com dez acordos homologados, o que vê com animação. A medida, defende, humaniza o Judiciário perante a sociedade, resguarda o tribunal de novos recursos e acelera o julgamento. Na pior das hipóteses, ajuda o próprio trabalho, já que por vezes redige os votos logo após as sessões e o contato direto com as partes e seus respectivos advogados.

Desembargador adaptou sua sala para receber advogados e partes. ConJur

“Presenciei pessoas que vêm aqui sem se falar e com uma impressão ruim do Judiciário e terminam agradecendo, indo embora juntas. Há um pouco o mito de um Judiciário fechado. Uma coisa é olhar o papel frio. A outra é olhar no olho”, explica Costa Wagner, que não teve a experiência do contato direto com as partes nos julgamentos de primeiro grau. Ele foi escolhido por Geraldo Alckmin para ocupar vaga do quinto constitucional da advocacia. Integrou a lista sêxtupla da OAB-SP, e seu nome chegou à mesa do então governador como o menos votado entre os três candidatos escolhidos pelo Órgão Especial do TJ-SP. Na época, era membro do Tribunal Regional Eleitoral paulista na categoria advogado.

Não são todos os casos que o desembargador propõe a mediação. Ele escolhe casos que discutem valores baixos, sem grandes corporações envolvidas e nem que estejam tramitando há muito tempo. São características que militam em favor de um acordo, sem necessidade da imposição de uma decisão judicial, avalia o desembargador.

Uma vez a cada 15 dias, sempre às sextas, ele rearranja sua sala no 12º andar do Edifício 23 de Maio, no bairro Liberdade, em São Paulo. Inclui mesas e cadeiras, papel e canetas à disposição, com água, café e balas para agradar os envolvidos. Se um entendimento é alcançado, as partes assinam um termo de audiência que descreve o que foi acertado, e o acordo é homologado por decisão monocrática. Os casos, que seriam relatados por Costa Wagner, nem chegam a ser apreciados pelos demais membros da 34ª Câmara de Direito Privado, da qual é membro.

Foi o que ocorreu na tarde de 29 de junho, quando a advogada Maria Fernanda Ribeiro entrou no gabinete com o objetivo de arrastar uma ação monitória ajuizada contra seus clientes pelo maior tempo possível. Era um caso complicado, que envolvia cobrança de R$ 9 mil por prestação de serviço. Ela defendia um casal humilde e que dizia perder o sono por conta de uma dívida que via como injusta.

Na presença do desembargador, chegou-se a um acordo: o valor a ser pago ficou em R$ 4,5 mil, parcelado de uma forma que os devedores consigam pagar. O caso de fato se arrastava desde 2016 e mediação convocada por Costa Wagner deu um fim à disputa.

Conciliação em segundo grau
Costa Wagner comemora os resultados que alcançou em tão pouco tempo por meio de sistematização de uma prática ainda esporádica entre seus colegas. Ainda assim, ele conta ter se inspirado em relatos de desembargadores que, em casos de alta complexidade ou litigiosidade, alcançaram acordos em conversa fora da sessão de julgamento. A própria Resolução 125 do Conselho Nacional de Justiça, que instituiu a política de acordos no Judiciário, foi capitaneada por um desembargador da casa, Neves Amorim, quando foi conselheiro do CNJ.

Costa Wagner comemora a taxa de sucesso  de quase um terço nas conciliações Conjur

Já há um setor destinado a essa prática: os Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania do Estado (Cejusc). Dados do tribunal mostram que, em primeira instância, ele efetivamente desafoga o Judiciário, com 251.369 sessões realizadas em 2017 e 132.169 acordos alcançados. Uma taxa de acordos de 53%. Em segunda instância, o aproveitamento diminui: 284 audiências, com 136 acordos e 47,8% de sucesso. Em ambos os casos, a eficiência é maior do que a da experiência de Costa Wagner até o momento, que tem uma “taxa de sucesso” de 29%, segundo as próprias contas.

Os Cejuscs atuam gratuitamente em casos de áreas cível e de família, desde relacionados a Direito do Consumidor e cobranças a questões envolvendo união estável e pensão alimentícia.

Costa Wagner entende que as mediações no Cejusc, por vezes, têm tom demasiadamente informal, ainda que sob a vigência do Código de Processo Civil. No gabinete, ele diz que a grande diferença é justamente o contraste entre a formalidade do contato com um desembargador e a informalidade da conversa: é tratado por “Excelência”, mas procura deixar as partes à vontade para discutir o caso, delineando a possibilidade de um acordo. De cara, avisa que não vai entrar no mérito ou fazer pré-julgamento. E então dá início ao diálogo.

Quando perguntados pelo próprio Costa Wagner, advogados que compareceram ao gabinete naquela sexta-feira elogiaram a iniciativa. “Se essa audiência fosse no Cejusc, a conversa teria acabado na portaria, porque eu informei a proposta e a outra parte não aceitou”, disse Fernando Pereira Cardoso, advogado de uma rede de concessionárias que, condenada em primeiro grau a indenizar um cliente, buscou rediscutir a chance de um acordo.

“Às vezes, a conciliação mais atrapalha porque falta tato, parece que o mediador tomou parte”, comparou o advogado Dirceu Antonio Aparecido Machado, que defendeu o cliente. O caso foi adiado para consultar a diretoria da rede de concessionárias – dias depois, terminaria em acordo.

O valor de um acordo
Luiz Guilherme da Costa Wagner se anima com cada sucesso alcançado porque reconhece a dificuldade de se chegar a um acordo após a decisão de primeiro grau, quando uma das partes já ganhou. Mas não é incomum que nenhuma das partes saia satisfeita com a decisão judicial. E é aí que a mediação vira solução.

Naquela tarde de sexta-feira, teve sucesso em apenas um dos quatro casos mediados: obteve uma recusa, um pedido de adiamento e uma ausência – uma das partes não compareceu ao compromisso. O acordo só foi alcançado no caso da cobrança dos R$ 9 mil, no qual um engenheiro regularizou a planta de um imóvel de um idoso que, sem herdeiros, doou a residência a um casal. Este assumiu a dívida do serviço, apesar de alegar desconhecimento dela ao assinar o documento.

O engenheiro exigia ao menos R$ 6 mil por um acordo, e o casal dizia só poder pagar R$ 3,5 mil. Em um esforço conjunto, chegou-se ao montante de R$ 4,5 mil. “Bom não está, mas tenho que aceitar para acabar com o aborrecimento”, finalizou o engenheiro de 84 anos.

 é repórter da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 16 de julho de 2018, 16h20

XIII semana-nacional da conciliação confirmada entre os dias 5 e 9 de novembro

XIII Semana Nacional da Conciliação será entre os dias 5 e 9 de novembro

Em 2017, mais de 225 mil processos que estavam em tramitação foram solucionados de forma consensual. FOTO: Gil Ferreira/Agência CNJ

Em 2017, mais de 225 mil processos que estavam em tramitação foram solucionados de forma consensual. FOTO: Gil Ferreira/Agência CNJ

Símbolo da conciliação no Judiciário, a próxima edição da Semana Nacional da Conciliação já tem data marcada. Será entre os dias 5 e 9 de novembro, nos Tribunais Estaduais, Federais e do Trabalho, em todo o País.

O evento para promover a cultura do diálogo entre as partes de um conflito, criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorre, anualmente, desde 2006.

Em sua primeira edição, foram agendadas 83.900 audiências e efetuados 46.493 acordos. Em 2017, mais de 225 mil processos que estavam em tramitação foram solucionados de forma consensual. Foram realizadas 318.902 audiências, das quais 70% resultaram em acordo. O valor dos acordos atingiu o montante de R$ 1,57 bilhão. Acesse aqui os resultados de 2017.

Como conciliar

Nos meses que antecedem a Semana Nacional de Conciliação, os tribunais selecionam os processos que têm possibilidade de acordo e intimam as partes envolvidas a solucionarem conflitos. Cidadãos e instituições podem pedir a inclusão de seus processos nas pautas da Semana Nacional da Conciliação. Para isso, devem procurar o tribunal no qual tramita seu processo e informar que desejam conciliar.

As questões que ainda não têm processo judicial (pré-processual) e outros atendimentos voltados aos cidadãos também podem ser solucionados na Semana Nacional. Vale lembrar que é possível procurar o tribunal para propor a conciliação a qualquer momento, não somente durante a Semana Nacional da Conciliação.

Os tribunais também selecionam mediadores judiciais e conciliadores para atuação durante a Semana Nacional de Conciliação. Só podem atuar mediadores judiciais e conciliadores cadastrados no tribunal.

conciliação é orientada pela Resolução n. 125/2010 do CNJ, que instituiu a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário.

Semana Nacional da Conciliação é realizada anualmente nos tribunais de todo o País para estimular a solução consensual de conflitos, com orientações padronizadas. Para saber mais informações sobre mediação judicial e conciliação, acesse aqui.
Regina Bandeira

Agência CNJ de Notícias

Avaliação de emoções e habilidades sociais desafia colégios particulares

 

Avaliação de emoções e habilidades sociais desafia colégios particulares

Escolas criam estratégias para examinar aspectos como resolução de conflitos e trabalho em equipe, previstos na Base Nacional Comum Curricular e consideradas importantes para formar os jovens

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

08 Julho 2018 | 03h00

Avaliação de emoções e habilidades sociais desafia colégios particulares
Boletim analítico. Vanessa recebe análise de Vitor em seis habilidades  Foto: Epitácio Pessoa/Estadão

Quando recebe o boletim bimestral da escola, Vanessa Panchoni vê, além das notas do filho Vitor, de 10 anos, o desempenho do menino em áreas como cooperação com a turma e protagonismo. As chamadas habilidades socioemocionais têm entrado cada vez mais na rotina de colégios e faculdades, mas a forma de medir o desenvolvimento dessas competências ainda desafia escolas.

Segundo estudos no País e no exterior, o aluno precisa se desenvolver não só na parte cognitiva – mais relacionada a disciplinas tradicionais – mas também nos aspectos ligados à interação, solução de conflitos e autoconhecimento. A Base Nacional Comum Curricular, que prevê objetivos de aprendizagem na educação infantil e fundamental, destaca que os colégios terão de incluir as habilidades socioemocionais em seus currículos até 2020. Apesar da importância do tema, há dificuldade em desenvolver e avaliar essa competência, porque falta consenso sobre como medi-la e apresentar resultados.

++ Renata Cafardo: Ensinar para inovar

Vitor estuda no Anglo Sorocaba, onde alunos recebem um boletim analítico, que mostra a frequência com que apresentam seis habilidades. Quem faz a medida são os professores, pela observação dos estudantes nas práticas – especialmente as de grupo. A “avaliação das emoções” já é feita do 1.º ao 9.º ano do fundamental e, este ano, está sendo aplicada no ensino médio. A ideia, diz a diretora Carol Lyra, é preparar o aluno não só para vestibulares, que começam a cobrar essas habilidades, mas para interações sociais.

Para cada aspecto avaliado – como cooperação, protagonismo e comprometimento –, o professor tem, nas mãos, uma lista de atitudes práticas que podem indicar domínio da habilidade. Ao avaliar a cooperação, por exemplo, observa, entre outros pontos, se o aluno escuta o colega em um debate.

++ Escolas usam jogos educativos para avaliar aprendizagem em tempo real

Criar o sistema de avaliação não foi simples – e o desafio começou com os professores. “Foram treinados para entender o que significa, de fato, ser protagonista, por exemplo. Parece óbvio, mas não é”, diz Carol.

Professora do 4.º e 5.º anos, Elaine de Miranda concorda. “Requer mais trabalho Mas o aluno de hoje está diferente – e o professor também tem de estar.” As avaliações da professora se somam às de outras duas das mesmas séries. “Observamos os alunos o tempo todo, como se comportam em grupo.”

Vanessa Panchoni, de 35 anos, diz pôr um olho nas notas das matérias e o outro nas das habilidades. Coach de carreiras, ela vê vantagens em medir os aspectos socioemocionais. “Sabemos que o que faz diferença no futuro não é a parte técnica, mas o comportamento, como se lida com as emoções.” Saber onde o filho precisa se desenvolver, diz, ajuda até a propor atividades em casa.

++ Leia mais sobre a rotina de colégios de São Paulo

Com nota. Na Escola Santi, zona sul paulistana, o aluno do 7.º ano tem na grade curricular atividades para desenvolver habilidades socioemocionais. O novo currículo começou este ano. No 1.º trimestre, o foco foi em autoconhecimento, com atividades obrigatórias semanais de mindfulness (meditação). Como está na grade de disciplinas, a avaliação é a mesma aplicada para conteúdos como Matemática e Português: nota – de 0 a 10 – e, se não atingir os objetivos, o aluno faz trabalho extra.

Parte da nota vem da autoavaliação feita pelos alunos e a outra parte do resultado, de exercícios e trabalhos que têm de entregar sobre a atividade.“O papel (da avaliação) é menos atribuir um número, mas dizer se o aluno ainda tem coisas que não captou para que possamos trabalhar”, afirma Daniela Degani, professora do Santi.

Em uma linha diferente, a Escola Lumiar, na região central, cria uma espécie de diário de bordo para os estudantes – que serve tanto para as disciplinas tradicionais como para habilidades socioemocionais. Como o colégio não atribui notas, usa até desenhos e gravações como amostras de que o estudante se desenvolveu em uma área.

“Se a professora faz jogos, pode gravar os alunos nessas interações. Se há a proposta de escrever um bilhete para o colega, ela pode selecionar isso como evidência”, diz a diretora pedagógica, Fabia Apolinário. O colégio trabalha, entre outros pontos, com a expressão de emoções e responsabilidades. O aluno tem acesso às avaliações em uma plataforma digital e pode agregar os próprios registros. “Tão importante quanto saber escrever ou fazer contas, é desenvolver essas habilidades.”

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É preciso saber o quê e como medir, defende especialista

Diretora do Programa Semente, que incentiva a aprendizagem socioemocional em redes públicas e privadas, Tania Fontolan vê desafios para medir essas habilidades. “Não se pode confundir com avaliações tradicionais. Tem de ser qualitativa, não quantitativa.” É preciso, diz ela, clareza sobre o quê se quer desenvolver. Em 2017, o Semente desenvolveu, com a Universidade Federal do Rio (UFRJ), um sistema de avaliação dessas habilidades, com base em questionários respondidos por 9,6 mil alunos.

“Em Matemática, entendemos que quanto mais, melhor. Nas socioemocionais, se divulgar que todos têm de ficar no máximo, podem achar que eliminaremos a diversidade”, diz Daniel Santos, professor da Universidade de São Paulo (USP) e membro do eduLab21, laboratório do Instituto Ayrton Senna, que faz avaliações dessas competências em redes públicas, como a do Ceará.

Na avaliação em larga escala, o autorrelato dos alunos é o método mais factível, segundo ele. “O problema do relato do professor é que, se pedir para falar como são 40 alunos, um a um, ele faz uma vez e pede demissão.”

O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação, informou que estuda criar uma forma de avaliação socioemocional, mas ainda não há prazo para a implementação.

 

https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,avaliacao-de-emocoes-e-habilidades-sociais-desafia-colegios-particulares,70002393731

QUAL O FUTURO DO MERCADO JURÍDICO?

https://justto.com.br/qual-o-futuro-do-mercado-juridico/

QUAL O FUTURO DO MERCADO JURÍDICO?

Entrevistamos especialistas e influenciadores do setor para entender quais os próximos desafios que os profissionais de direito vão enfrentar.

Tudo vai mudar, mas a essência será a mesma. Seria assim que eu resumiria meu bate-papo com personalidades e influenciadores do mercado jurídico brasileiro, através de uma pesquisa qualitativa patrocinada pela Justto.

Em conversa com alguns dos principais profissionais de direito do Brasil, foi possível entender quais os desafios mais comuns da área, especialmente aqueles ligados ao impacto da tecnologia nos seus cotidianos. Ao mesmo tempo, ficou claro que a essência do trabalho jurídico se manterá a mesma, exigindo personalização e cuidado com cada um dos casos.

Confira abaixo os 6 principais temas que ocupam as mentes de expoentes do mercado jurídico brasileiro.

A TECNOLOGIA É INEXORÁVEL

Gostemos ou não, a presença da tecnologia no nosso cotidiano já se tornou inevitável. Desde o smartphone nas suas mãos até a compra do pãozinho na padaria, tudo está permeado por tecnologia e processos digitais. Ao invés resistir e nadar contra a maré, os especialistas entrevistados concordam que o ideal é se ajustar à nova realidade, colocando a tecnologia à serviço das necessidades do setor jurídico.

Isso significa utilizar a tecnologia e os sistemas computacionais para a realização de tarefas repetitivas, como busca de palavras-chave, produção de relatórios de forma automatizada, criação de peças processuais, predição de resultados jurídicos, entre outros. O segredo é pensar na melhor forma de aplicar as inovações disponíveis no cotidiano de escritórios de advocacia e consultoria jurídica.

Um desses jeitos, citados por muitos dos entrevistados, é o uso de jurimetriaassociada à tecnologia – ao permitir que sistemas computadorizados automaticamente colecionem dados de juízes, comarcas, além de resultados de processos e ações, é possível criar modelos estatísticos aplicados ao direito, que podem prever com grande chance de acerto os possíveis resultados futuros de julgamento de um determinado caso.

MEDIR É PRIMORDIAL

Mais do que saber fazer, hoje em dia é importante saber medir quanto tempo se leva e quanto dinheiro se gasta pra fazer o que se faz. O termo ROI (do inglês return over investment, ou retorno do investimento, em tradução livre) está cada vez mais presente no cotidiano dos profissionais da área jurídica.

Por isso, antes de levar projetos adiante, tem se tornado imperativo não apenas saber o que fazer, mas também ter ciência de quanto custa fazê-lo, e quem sabe até buscar alternativas que possam ser mais acessíveis e viáveis de serem utilizadas. Nesse sentido, estabelecer processos, procedimentos ou sistemas automatizados que ajudem a calcular quais são os procedimentos mais rentáveis no longo prazo torna-se ferramenta primordial para os processos de decisão. Saber o ROI de cada processo, por exemplo, ajuda a ser capaz de escolher entre duas soluções de conflitos diferentes, balizando custo e velocidade da resolução.

Por exemplo, aprender a medir o ROI da sua frente de acordos já é um bom começo e essencial para medir sua efetividade!

PREPARANDO-SE PARA AS NOVAS REALIDADES

Estar aberto à inovação da tecnologia pode ser dolorido no começo, mas é caminho sem volta. Por isso, vale aqui o meme dos jovens: aceita que dói menos. É crucial estar disposto a se capacitar e se posicionar de maneira positiva em relação às novidades que novas realidades vão trazer.  Se a Inteligência Artificial e técnicas de Machine Learning forem capazes de auxiliar na predição de decisões judiciais, por que não adicionar essas peças ao seu jogo e fazer as próximas jogadas da partida utilizando-as a seu favor?

Você pode aprofundar um pouco mais nesses temas nos posts sobre Legaltechs e como a tecnologia pode ajudar o advogado e a Advocacia do Futuro.

ESPECIALIZAÇÃO, FOCO E CUIDADO CONTINUAM IMPORTANTES

Um receio muito comum entre os profissionais é que a automação e a chegada de sistemas computadorizados ao mercado jurídico eliminem alguns cargos ou vagas do setor. Apesar de este ser um processo inevitável, a maior presença de automação entre as atividades de escritórios de advocacia significa que o tempo que antes era dedicado a tarefas cotidianas  – como construção de peças processuais, por exemplo – poderá ser utilizado na realização de outras atividades importantes na rotina dos advogados, como análises cuidadosas de casos complexos, maior dedicação a atender e entender os clientes, criação de novos processos ou soluções jurídicas, entre outros.

Ter máquinas fazendo o trabalho pesado significará, no longo prazo, mais tempo para especializar-se em determinado assunto, ter mais foco em questões de grande importância e dedicar-se a ter mais cuidado e atenção com os clientes.

MANTER-SE INFORMADO E CONECTADO É CRUCIAL

Para fazer bom uso de inovações e novos processos, é imprescindível manter-se informado e conectado à profissionais e empresas que estejam de olho nas novidades.

A maioria do entrevistados para essa pesquisa definiu estratégias pessoais de como manter-se informado e atualizado. O LinkedIn foi uma das redes sociais mais citadas como forma de conectar-se com seus pares e saber o que circula pelo mercado. Há quem prefira seguir publicações – como JOTA e Migalhas – e ainda os que confiam no recebimento de informações diretamente nas suas caixas postais, através de assinaturas de newsletters diversas, que vão desde aquelas distribuídas por entidades e serviços online até publicações internacionais.

Quem tem um pouco mais de disponibilidade de tempo costuma apostar também na participação em eventos dos seus setores de atuação – como é o caso dos encontros promovidos pelo StartSe ou por universidades nacionais e internacionais.

PARCERIA É PALAVRA-CHAVE

Nesse contexto, fica evidente que o trabalho é cada vez mais feito de forma coletiva. Não foi à toa que a palavra “parceria” foi tão citada: mais do que uma relação entre clientes e fornecedores, o que os profissionais do mercado jurídico brasileiro estão precisando são de parceiros, de fornecedores e de clientes dispostos a compartilhar seus desafios e trabalhar de forma conjunta em busca de soluções.

Mais do que contratar um serviço, os clientes querem criar um relacionamento de confiança mútua; além de solucionar um problema pontual, os fornecedores esperam conseguir criar um relacionamento de longo prazo com seus clientes, apoiando na investigação de problemas e não apenas cuidando dos processos e ações, mas também auxiliando na eliminação das causas que geram problemas jurídicos.

Com tantos desafios e tantas novidades tecnológicas, até mesmo as empresas de tecnologia que atendem o setor jurídico precisam entender que trata-se de uma busca não apenas pelo melhor desenvolvedor ou consultor técnico, mas pelos profissionais mais dispostos a mudar a cara do setor advocatício juntos.

O pulo entre o jurídico analógico e o jurídico digital e moderno não será feito da noite para o dia, e vai ser preciso ter uma comunidade inteira unida para viabilizar essa revolução.

Será que poderão contar com você?

Obrigada a todos os profissionais que se dispuseram a participar dessa pesquisa, cedendo seu tempo e compartilhando suas opiniões: Alex Cukier, Aline Anhezini, Ariane Rodrigues, Celso Monteiro, Cláudio Furtado, Felipe Hasson, Gustavo Coelho, Renato Riva.